Lápide

 

Da solidão 

Que jamais se fez ausente

E a canção 

De uma dor que é presente.


Que seja onde for... das lágrimas

Que de meu rosto tocaram a terra

Nasça uma linda flor 

E um amor que não se encerra.


E dos amigos que tive

Dos árduos passos que caminhei

Daqueles que em corpo já não mais vive

Jamais esquecerei...

E um dia com estes anjos,

Eu sim, me encontrarei.


E que a morte que procuro

Reflita a esperança

Que seja de poesias o meu túmulo

Que eu renasça na pureza das crianças.


Para assim ser purificado de meu pecado

De na vida 

Não ter eu acreditado,

E de ter te amado minha querida

Sem ser mesmo eu amado.


E jamais tenham a lembrança

De mim às vezes tão só

Me lembrem ainda criança

Correndo pelos campos de girassol.


Não pense em mim sozinho

Na varanda sob chão pardo

Tomando suave vinho

E tragando cigarro.


Lembre-se do amigo companheiro

Que ao teu lado esteve a todo instante

Lembre-se do forrozeiro

E do poeta amante.


Que minhas palavras 

Não se tornem lápides

Mas corram pelos vales

Que eu mesmo sepultado nelas vivo

Mas sem elas, minha vida de nada vale.

 


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